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12 de agosto de 2009

Quoi Faire à Quebec

1 .

Calendário cultural da cidade do Quebéc

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O que já publicamos:

Quoi faire aujourd'hui?

Então, ainda preferes ficar em casa?

4 de junho de 2009

Calculadora de distância, datas, códigos de discagem, tempo e muito mais!

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Quer saber a distância das cidades localizadas perto de Montreal?

 

Em time and date você obtém o cálculo exato. Apesar do nome já dizer que se trata de (um site de) cálculo de datas, esta ferramenta também calcula a distância das cidades perto de Montreal, o que achei de grande utilidade. Isto inclui além das cidades do Québec e Canadá, as cidades dos USA, que por sinal são a maioria em questão.  Clicando nos links das cidades, podemos ver também o tempo. Além das utilidades já citadas, existe também o cálculo de códigos para dicagem telefônica do mundo inteiro e muito mais!

Então salve esta útil ferramenta no melhor estilo 10 em 1.

Clique na imagem para ser redirecionado.

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2 de junho de 2009

Oriente-se na província do Québec

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Se você está procurando um bom mapa, visite o MapQuest. Lá você achará rapidamente a região, cidade e rua que precisar. E não só isso, mas restaurantes, cinemas, hotéis,teatros,  cafeterias e muito mais. Basta digitar o que procura, ou ir clicando e arrastando a seta. Simples e prático.

mapa Québec

26 de maio de 2009

Le portail officiel de la ville de Montréal

0 .

Montreal é realmente uma cidade muito organizada (ah éee?). Aliás, o Québec e todo o Canadá assim o é, e não é à toa que está  classificado como um dos melhores países para se viver. Isso não é novidade para nós.  Mas falando em organização de informações pela internet, os diretório e sites oficais do país são muito bem estruturados e cheio de informações detalhadas. Podemos conferir isto clicando num dos links registrados na  coluna ao lado deste blog.

 

Diria que é o oposto dos portais governamentais do Brasil, que é quase um deserviço à nós brasileiros. Mas deixemos os desafetos para lá e vamos ao que interessa: Le portail officiel de la ville de Montréal.  O portal oficial da cidade de Montreal. Site útil para quem vai morar em Montreal.

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Aproveitem a visita, e vejam uma simulação de como a cidade estará em 2025. Isto sim é uma cidade bem planejada! Igual ao Brasil não?

 

abraços

22 de maio de 2009

Qualidade de Vida 2009 - As melhores e piores cidades do mundo para se viver

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Saiu a lista com as melhores cidades do mundo 2009 para se morar. A divulgação é feita pela conceituda empresa mundial Mercer's 2009 Quality of Living survey highlights - Global.
Canadá continua colocando várias de suas cidades como as top 5 melhores para se viver. Observem em destaque.

Assim,
no Rank das melhores e piores cidades do mundo,
Viena ultrapassou Zurique e assumiu a primeira posição de cidade com melhor qualidade de vida no mundo, de acordo com a Pesquisa de Qualidade de Vida 2009 da Mercer.
Genebra ocupa a terceira posição, enquanto Vancouver e Auckland agora estão empatadas em quarto lugar na classificação. Nos EUA, a cidade melhor classificada é Honolulu, na 29ª posição. Cingapura (26) é a cidade Asiática com maior pontuação, seguida por Tóquio na posição 35. Bagdá, classificada em 215, permanece em último na tabela.
Na América Central e do Sul, San Juan, em Porto Rico, mantém a classificação mais alta na posição 72, seguida por Montevidéu na 79.
Esse ano também foram identificadas as cidades com melhor infraestrutura, tais como: energia elétrica, telefonia, transporte público, trânsito e vôos internacionais. Cingapura ocupa o primeiro lugar neste ranking (com 109,1 pontos) e Santiago (com 88,1 pontos) é a cidade com melhor infraestrutura na América Latina. Bagdá, tem a pior infraestrutura e fica em último lugar com apenas 19,6 pontos.
- Vamos então à tabela TOP FIVE que re-editamos do site da Mercer para colocarmos aqui.

As melhores cidades do mundo

Top 5 qualidade de vida no rank mundial

Geral Infra-estrutura
  • Viena, Áustria (1.)
  • Zurique, Suíça (2.)
  • Genebra, Suíça (3.)
  • Vancouver, Canadá (empatado 4.)
  • Auckland, Nova Zelândia (empatado 4.)
  • Singapura, Singapura (1.)
  • Munique, Alemanha (2.)
  • Copenhaga, Dinamarca (3.)
  • Tsukuba, Japão (4.)
  • Yokohama, Japão (5.)
Top 5 ranking cidades por região - Qualidade de vida
Américas Ásia Pacífica
  • Vancouver, Canadá (empatado 4.)
  • Toronto, Canadá(15.)
  • Ottawa, Canadá(16.)
  • Montreal, Canadá(22.)
  • Calgary, Canadá(26.)

A menor pontuação das Américas no ranking Top 50 foi a cidade de Seattle(50.)

  • Auckland, Nova Zelândia (empatado 4.)
  • Sydney, Austrália(10.)
  • Wellington, Nova Zelândia (12)
  • Melbourne, Austrália(18.)
  • Perth, Austrália (21.)

A classificação mais baixa da cidade asiática em 50 foi Osaka (empate para 44.)

Europa Oriente Médio & África
  • Viena, Áustria (1.)
  • Zurique, Suíça (2.)
  • Genebra, Suíça (3.)
  • Dusseldorf, Alemanha(6.)
  • Munique, Alemanha(7.)

A menor pontuação da Europa no ranking Top 50 foi da cidade de Madrid (48.).

  • Dubai, Emirados Árabes Unidos (77.)
  • Port Louis, Ilhas Maurícias (82.)
  • Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (84.)
  • Cape Town, África do Sul (87.)
  • Port Elizabeth, África do Sul (93.)


NB: Não há cidades do Oriente Médio ou africano no top 50



Infra-estrutura
Américas Ásia Pacífico
  • Vancouver, Canadá(6.)
  • Atlanta, E.U.A. (15.)
  • Montreal, Canadá(empatado 15.)
  • Toronto, Canadá (18.)
  • Washington, DC, E.U.A. (24.)
  • Singapura, Singapura(1.)
  • Tsukuba, Japão (4.)
  • Yokohama, Japão (5.)
  • Hong Kong, Hong Kong (empatado 8.)
  • Tóquio, Japão (12)
Europa Oriente Médio & África
  • Munique, Alemanha(2.)
  • Copenhaga, Dinamarca (3.)
  • Dusseldorf, Alemanha (6.)
  • Frankfurt, Alemanha(empate 8.)
  • Londres, Reino Unido(empatado 8.)
  • Dubai, Emirados Árabes Unidos (35.)
  • Tel Aviv, Israel (55.)
  • Jerusalém, Israel (70.)
  • Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (72.)
  • Port Louis, Ilhas Maurícias (92.)

A classificação é baseada em um índice por pontuação, no qual Viena tem 108,6 e Bagdá 14,4. As cidades são classificadas em relação à Nova York, a cidade-base, que tem pontuação 100. A classificação de Qualidade de Vida da Mercer cobre 215 cidades no mundo, sendo realizada para auxiliar governos e grandes empresas no momento de expatriar funcionários .
  • Mercer é líder mundial em prestação de serviços de consultoria, outsourcing e investimento. Veja aqui a pesquisa completa sobre Qualidade de Vida 2009.
Aproveito e acrescento a observação do site Curiosando em Melhores Cidades do Mundo — 2009 na qual concordo plenamente e cabe perfeitamente neste post:

Particularmente senti falta de São Paulo e Rio de Janeiro. Cidades extremamente seguras, organizadas, com acesso a saúde, educação e transporte públicos de primeiro mundo. Que estranho…

(rsrsrsrsrsrs)


Leia também:
15 cidades "verdes" /15 Green Cities

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13 de maio de 2009

Conheça muito mais do Québec no site viajeaqui

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Mais do Québec no site viajeaqui que vasculhei para o nosso deleite e também futuros passeios (!!?). Reportagens ilustradas com muitas fotos, dicas, vídeos e informações.

Boa viagem!

Do Blog Boa Vida  de Alexandra Forbes (já falamos dela aqui):

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Veja também a experiência da jorrnalista Alexandra Forbes (segundo ela nada boa) com o sistema de saúde de Montreal em: Montréal, no Canadá: primeiro ou terceiro mundo?

Outros autores em reportagens interessantes do site viajeaqui:

 À Francesa – Reportagem simpáica e informativa sobre Montreal.

Onde é melhor comer – Dicas de restaurantes e cafés.

Canadá sobre trilhos – Uma viagem de 6 mil quilômetros nos trens da via Rail para conhecer o que existe de melhor no país.

La vie en pink – Um pouco sobre Mont Tremblant.

Gostou? Então aproveite para ler outras reportagens do site.

9 de maio de 2009

Montréal, 10 razões para amá-la

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Em minhas visitas quase que diárias ao leitor de feeds, recebi a matéria em questão por "Pesquisa do Google: Montreal", onde me inscrevi à alguns meses.

"Montréal, no Canadá: 10 razões para amá-la"

Acho muito interessante estes tipos de listas.  As 10 coisa que amo em tal lugar. Eu particularmente viajo  assim que começo a ler. Fico a imaginar e me desperto para situações, sensações e até aromas me veem à mente. Quase sempre uma desculpa para uma boa conversa com o Juba, amigos e familiares. Em se tratando do Canadá ou ainda Montreal então, viixx, nem se fala! Vocês sabem do que estou falando (nééé). Quem tá de fora até cansa  #azoreias!

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Mas voltando ao assunto, o post "Montreal, no Canadá, 10 razões para amá-la" é de Alexandra Forbes (viajeaqui. abril), jornalista e crítica gastronômca, que viaja pelo mundo todo comendo e bebendo. Profissão chata né? Que horror, nossa! Com 5 anos de Canadá e recentemente morando em Montreal, Alexandra deseja daqui pra frente desnudá-la de pouquinho em pouquinho. E começa com o aperitivo: Dez coisas que amo em Montréal. A lista é ilustrada com fotos e breves comentários. Têm até um mini-vídeo da rua Crescent.

Então clique na foto ou nos links para saber a seleção de Alexanda Forbes e boa viagem!

 

E você, qual é sua lista das "10 coisas que amo" (…) ?

4 de maio de 2009

As melhores e piores províncias canadenses para impostos

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Visitando a página recomendada po Rosa da Silva do CasaNoCanadá.com, em Best and worst provinces for taxes  podemos conferir as 13 províncias em questão.
Segundo o especialista Gordon Powers do Everydaymoney (Sympatico / MSN Finance), de acordo com o novo relatório do "Canadian Federation of Independent Business" (Federação Canadense de Negócios Independentes), Alberta é de longe a província que tem a mais baixa carga fiscal global por indivíduo. Isto porque ela é a única sem imposto provincial sobre as vendas e também porque possui uma das mais baixas taxas sobre gasolina do país. A província com o maior imposto sobre a gasolina é Newfoundland. O cigarro é um dos itens com mais impostos atribuídos. Por todo o país, cerca de três quartos do preço de um pacote é imposto. Québec é onde se paga menos impostos por um pacote de "cigarettes". Será por isso que existem tantos fumantes por lá?
Para entender melhor sobre o assunto, ou se confundir de vez (rsrs), confira a reportagem completa: Where will you pay the least tax?


Best and worst provinces for taxes  (clique nas imagens para ampliá-las)

Pine Beetles Global WarmingOIL REFINERY Sask Harper 20080325 TOPIXPort of Churchill 20071005 ontario SPRING SKIING 20080330Council of the Federation 20070809NS Lobster Season20071126 TRAVEL Log PEI Bridge 20070604Liberal caucus20070828Travel Trip Motorcycling to Alaska    SOVEREIGNTY PATROL 20070331 TOPIX Nunavut 10 20090401

3 de maio de 2009

Brasileiros de Montreal (parte x)

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O que já vimos:
parte I Resumo, Apresentação e Introdução : Estudo sobre a presença dos imigrantes brasileiros em Montréal . Interessante a abordagem histórica do autor sobre "a busca do paraíso" na introdução. Ele volta a discorrer o assunto em A parole dos brasileiros e na conclusão. 
parte II - Nesta segunda parte do estudo Brasileiros de Montreal, o autor fala sobre os imigrantes do Brasil. Discorre acerca da discriminação entre os naturais do país. Em contrapartida, analisa a distinção feita pelos nativos aos estrangeiros, principalmente de nacionalidade européia. 
parte III - A realidade política quebequense e a imigração
Nesta terceira parte do estudo, o autor é didático ao subtema que desenvolve.
parte IV - Nesta quarta parte do estudo, vemos o final do subtema que o autor desenvole. O autor fala ainda sobre o imigrante e o multiculturalismo e possíveis dificuldades de convivência na sociedade quebequense.
parte V - O autor discorre sobre o problema dos conflitos reais e potenciais entre os imigrantes e os quebequenses de origem. Assunto este que faz parte do Relatório Bouchard-Taylor (2008)
parte VI - Aqui o autor menciona os primeiros imigrantes brasileiros em Québec, Montreal e as recentes emigrações para o Canadá e suas possíveis causas ou escolhas. Ele também pincela um pouco da história da cidade de Montreal.
parte VII - Nesta sétima parte, continuamos a leitura sobre a cidade de Montreal e e as possíveis causas da migração dos brasileiros em Québec.
Parte VIII – Aqui vemos a chegada de imigrantes de várias partes do mundo e o início do subtítulo Brasileiros em Montreal. O estudo mostra os registros, números, estado civil e habitat destes brasileiros.
parte IX – Vemos aqui o traço social, regiões e os meios para imigração da maioria dos brasileiros. Na sequência: A parole dos Brasileiros.
 hopi hari

A parole dos brasileiros (final)
Luís Carlos Lopes
Tags: formação,  adaptação, acessibilidade, relacionamento, xenofobia, classe social e etnia dos brasileiros.
Em dois dos poucos artigos exploratórios sobre a presença brasileira no Canadá, foram relatados os argumentos apreendidos em entrevistas realizadas, em Toronto e Montreal. Segundo estas, a maior dificuldade dos brasileiros seria a de se adaptar ao clima local (Nunes, 2003; Mac Fadden, 2003) [32]. Eles seriam muito sensíveis ao efeito do frio intenso na maior parte do ano e da pouca luminosidade do inverno. Haveria quem desejasse se aposentar e voltar para o Brasil, considerado país quente e aprazível, ou, ainda, quem sonhasse em passar o inverno canadense em seu país natal. A segurança frente ao crime, a existência do acesso à saúde pública de qualidade e a escola gratuita até o segundo grau foram citados como razões para opção de migrar. Com isto, os brasileiros residentes nesse país, lembram das dificuldades reais e potenciais que antes viveram. Enxergam no país que os adotou algo muito superior, centrado no respeito aos direitos de cidadania, coisa que antes não conheciam.
Nos mesmos artigos, foi capturada a percepção do fato de que os imigrantes brasileiros são, em sua maioria, das classes médias. Suas autoras relataram os dados de formação escolar, predominantemente universitária, da maioria dos entrevistados. Os brasileiros, na maioria dos casos, teriam imensas dificuldades de encontrar trabalho em suas profissões de origem. O mesmo ocorreria em relação ao reconhecimento de seus diplomas obtidos no Brasil. Haveria um consenso em relação a um melhor sucesso dos imigrantes mais pobres e de profissão ou de função mais simples. Estes conseguiriam, no Canadá, obter rendimentos e acesso a serviços, impossíveis para pessoas do mesmo nível no seu país de origem. São citados casos de retornados que voltaram ao Canadá, por não se conformarem com os salários obtidos no Brasil.
Em 2003, ano em que foram feitas estas duas pesquisas, já havia a percepção das dificuldades de relacionamento com os canadenses de origem e foi relatada a existência de casos de xenofobia. O mal-estar relativo à presença massiva dos imigrantes no pais, já era sentido pelos brasileiros que optaram por lá viver. Entretanto, o sentimento geral dos brasileiros era de que haviam chegado a uma espécie de paraíso. Apesar dos problemas, qualquer solução de abandonar o barco era imaginada para mais tarde. Eles entendiam as dificuldades como o preço a pagar pelo que conquistaram. A impressão que se tem destas representações é que elas funcionam invertendo a lógica das coisas. De onde se partiu só viriam notícias ruins. O retorno não seria uma solução, a não ser com a conquista da independência econômica. Para onde se foi, existiriam problemas. Entretanto, as inúmeras vantagens reais e potenciais compensariam os defeitos.
Pode-se interpretar esta situação, afirmando que as representações dos brasileiros baseavam-se no fato objetivo e percebido de que não se havia chegado ao paraíso, mas ele não estaria tão distante. Haveria um problema na cultura dos imigrados. Não seria estranha a eles, a dificuldade real de se integrarem aos mundos da cultura e do trabalho do país anfitrião. Teriam a consciência da difícil aceitação ou mesmo de sua impossibilidade. Todavia, alcançar os direitos de cidadania canadense e as vantagens da vida nos escombros do Welfare State local valeriam todos os percalços e problemas. Com isto, escapariam dos problemas brasileiros. Isto os manteriam em suas posições e seria uma lógica de fuga, de escape das dificuldades históricas do Brasil.
É bom lembrar que obter o passaporte canadense, depois de naturalizados em três anos de permanência no país, significa um passe livre para viajar pelo mundo. Entrar sem qualquer constrangimento importante nos EUA e até postular trabalhar por lá, na possibilidade de se viver o american dream. O sonho de se transformar em canadense, sem deixar a alma brasileira faz parte da parole desses imigrantes. Não há na fala deles a negação da cultura de origem. A maioria deles continua gostando do sol, lamentando a ausência de alguma praia real por perto e sentindo a falta do calor humano de seu país de origem. Continuam, portanto, a ser brasileiros, na condição especial de um novo exílio, pleno em mais sonhos do que em realizações palpáveis.
palcio do congresso montreal
Entrevistados de Montreal
No segundo semestre de 2007, foram gravados 17 depoimentos [33] de brasileiros que moram em Montreal. Procurou-se ter uma amostra significativa de vários tipos sociais e obter deles seus pontos de vista sobre a imigração brasileira local, vistos a partir da experiência de cada um. A todos foi proposto um mesmo roteiro, formado por perguntas a serem respondidas no tom de comentários. Os temas levantados foram sobre: a identidade dos brasileiros que imigraram para Montreal; a visão atual deles sobre o Brasil; o de suas impressões sobre a cidade e a população no local de acolhida; as relações mantidas com os brasileiros que os antecederam, os imigrantes de outras etnias ali encontrados e os franco-canadenses de origem; seus sentimentos pessoais relativo suas vidas na condição de imigrados; seus problemas, dúvidas e reclamações; as diferenças mais significativas existentes no seio do grupamento brasileiro montrealense.
Foram entrevistados imigrantes mais recentes e alguns que já estão no país há bastante tempo. Todos podem ser considerados, na origem, das classes médias, uns mais ricos e outros pertencentes aos setores mais pobres. Quase todos vieram das cidades grandes do eixo Sul-Sudeste e tinham formação de nível superior, completa ou incompleta. Apenas um é negro, exercendo uma profissão liberal, e três são homossexuais assumidos, ligados à comunidade gay local [34]. A maioria é branca para os padrões brasileiros, entre estes são encontráveis morenos e pessoas com traços africanos ou ameríndios. Uma pequena parcela é filha ou neta de imigrantes europeus que vieram para o Brasil. (continua)
Notas:
[32] O clima de Toronto é similar ao vivido em Montreal. A presença de brasileiros nesta cidade é bem superior aos quantitativos de Montreal. Os brasileiros de lá tem uma estrutura de convívio mais orgânica e as possibilidades de emprego são melhores.
[33] Aproveita-se para agradecer a todos que se dispuseram a dar entrevistas e para dizer que o texto integral das mesmas será objeto de outra publicação.
[34] Montreal é conhecida pelo seu baixo nível de homofobia e pelo alto nível de organização da comunidade gay. O Canadá aceita, sem maiores problemas, a união civil entre os homossexuais.
 
Leia:

27 de abril de 2009

Brasileiros em Montreal (final do subtítulo)

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Continuação do estudo:

IX

Brasileiros em Montreal (final deste subtítulo)

 

Luís Carlos Lopes

O país estimula a imigração vinda de algumas regiões do mundo. Aceita refugiados políticos de alguns países e vem manifestando suas preferências de origem dos seus imigrantes. O Brasil é, recentemente, um dos lugares escolhidos como celeiro de futuros habitantes do Canadá. O Ministério da Imigração do Quebec, no interesse da província, organiza campanhas de recrutamento no Brasil. Os meios de comunicação do Brasil e programas e vídeos veiculados pela Internet repercutem estas campanhas. Estas visam aumentar o número de brasileiros na mesma província.

 

Existem alguns meios conhecidos de migrar. O mais tradicional é o do pleito direto do interessado que preenche uma série de formulários, fornece vários documentos, paga várias taxas e tem seu caso examinado. Se aprovado o candidato à imigração fará os exames médicos conclusivos e, passando nos mesmos, receberá alguma ajuda nos primeiros meses de seu estabelecimento no país, sobretudo se tiver mulher e filhos para criar. Na cidade para onde foi, se for um grande centro, poderá fazer cursos de línguas e terá acesso ao sistema de saúde local, sem qualquer ônus. Conseguindo se estabelecer e se radicar por três anos, o imigrante ganhará o direito à nacionalidade canadense, algo muito especial, comparando-se com o caso norte-americano.

 

Os brasileiros de hoje são atraídos pelos serviços de imigração, através de farta propaganda, realização de reuniões de sensibilização feitas em algumas cidades brasileiras e de promessas de ajuda para os primeiros momentos de instalação. Estes esforços de atrair imigrantes concentram-se no sudeste e no sul do país, sendo possível identificar os padrões étnicos e sociais almejados. Tais esforços, somados aos problemas brasileiros, têm resultado no aumento apreciável do número de pessoas interessadas em viver no Canadá, em especial no Quebec. Entretanto, é em Toronto, em plena região anglofônica, que os brasileiros se concentram, por efeito de maiores possibilidades de emprego.

 

Os imigrantes brasileiros encontráveis no local hoje têm um traço social hegemônico. A grande maioria é branca ou mestiça clara, veio do sul e do sudeste, cursou ou estava cursando o nível superior e, no seu país natal, pertencia às classes médias. As exigências para chegar ao Canadá reduzem em muito quaisquer possibilidades de pessoas diferentes disto conseguirem ser aceitas. Quando eles são na origem de outras regiões do país, lá pertenciam a grupos sociais mais ricos e já tinham passagens pelo sudeste brasileiro. Quase todos são adultos, com exceção dos filhos menores, e chegaram ao país na faixa entre os 25 e 45 anos de idade.

 

A principal forma de entrada atual no país e de chegada em Montreal consiste no pedido oficial de imigração. Todavia, existe quem tenha chegado com o visto de estudante e depois, de dentro do país, solicitou a permanência definitiva. Alguns poucos fizeram seu pleito de imigração em outros países, onde residiam provisoriamente. Existem os que vieram como trabalhadores temporários e, no Canadá, pediram para ficar, bem como os que vieram como maridos e esposas de canadenses, tendo suas núpcias como o principal motivo da emigração do Brasil. Um ou outro usou de artifício distinto para ficar. A imigração, apesar de seguir regras de Estado, é uma operação privada e sujeita a acertos individuais. A geração mais antiga chegou ao país como exilada e alguns resolveram permanecer definitivamente.

 

Na verdade, migrar para o Quebec significa fazer uma dupla solicitação. A primeira para o Canadá e a segunda para a província ou vice-versa. O país é uma confederação. Entretanto, a província francofônica tem uma realidade muito especial, distinta das demais, sendo a única a ter ministério da imigração próprio. Quando o pedido é feito diretamente ao Quebec, o solicitante recebe um aceite local. Este terá que ser validado pelo governo central do país. Esse e outros fatos posicionam a província como um país, dentro do país. Os imigrantes são duplamente canadenses e quebequenses. Sob o ponto de vista legal e nacional, são, até agora [31], apenas canadenses. Definem-se comumente de um modo diverso. Curiosamente, os brasileiros e de outras origens acreditam-se muito mais como montrealenses, do que como quebequenses ou canadenses. O país deles é a cidade onde vivem, que os acolheu.

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A maioria dos brasileiros que vivem nesta nova realidade mantém algum tipo de laço com outros membros do mesmo grupamento. Reúnem-se episodicamente e procuram uma forma de se manter vinculados aos elementos cêntricos de suas culturas, tais como o carnaval, variadas expressões musicais, o futebol, a culinária e a especificidade do português falado no Brasil. Refundem tudo isto, a partir do olhar local. Este os faz entender suas raízes de modo distinto do que ocorria no seu país natal. Esse olhar seria a expressão da cultura dos brasileiros imigrados que resultaria numa forma de comunicação, isto é, numa parole bastante específica.

 

 

A parole dos brasileiros

Não é muito fácil capturar a parole dos brasileiros em Montreal. O grupamento não é muito organizado, seus canais de comunicação são intermitentes e pouco eficientes. Diferentemente de Toronto, os brasileiros de Montreal têm maiores dificuldades de se informar e de intercambiar experiências. Ainda não existe, na cidade, um periódico regular para a comunidade brasileira. Os que existem em português são para a comunidade portuguesa. No momento em que esta pesquisa estava sendo feita, tentava-se organizar uma escola brasileira para os filhos de imigrantes. Antes, houve uma que não conseguiu subsistir. Ao contrário da comunidade portuguesa, a brasileira ainda não obteve maior organicidade e penetração, nas tentativas de alguns de criar e manter instituições que estejam a serviço dos seus membros. Aliás, não raro, os brasileiros usam do aparato montado pelos lusitanos que estão em Montreal há muito tempo, em grande número e que alcançaram uma posição de maior relevo na sociedade local.

 

O grupamento brasileiro surge de sua relativa invisibilidade, com bastante garbo, nas cerimônias públicas, tais como festivais de música, de artes ou eventos desportivos, onde o Brasil esteja representado. Nesta ocasião, a bandeira verde-amarela chega a ser desfraldada, bem como as camisas amarelas, de nossa seleção de futebol, brilham nas ruas. Nesses eventos públicos, em festas e outras cerimônias privadas, é possível ouvir a batucada e o cantar alegre desses imigrantes. Quando juntos, os brasileiros se destacam pelo colorido de suas vestes e o hábito da terra de falar alto e abraçar ternamente os amigos, sem esquecer dos beijos na face entre as moças e os rapazes. (continua)

Nota: [31] Há, em curso, um projeto de lei criando uma ‘identidade’ quebequense.

Leia:

13 de abril de 2009

Links úteis do Canadá e Québec numa só página

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Clique na imagem e tenha acesso a vários links importantes do Canadá e Québec. A quantidade é impressionante!

Desenvolvido pela Université du Québec! Muito bom!links Canadá 

Dica do Blog: http://imigracaoquebec.blogspot.com/

 

Esse post faz parte do "Boas Dicas" do Blog Juba e Dea

12 de abril de 2009

Montreal - a cidade e a imigração

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Brasileiros de Montreal – parte VII

Luís Carlos Lopes


A cidade e a imigração (continuação)

Nesta cidade, nada existe de similar às favelas cariocas ou aos bairros da periferia paulista. A pobreza urbana é assistida, como em poucos lugares do planeta. Por diversos meios de ajuda oficial, os mais pobres conseguem, com imensas dificuldades, sobreviver no centro e na periferia, mesmo em situações dramáticas de desemprego e de graves enfermidades. A escala social da pobreza local é bem conhecida. São os mais pobres os imigrantes e uma pequena parcela da maioria francofônica que habita a cidade. São estes os que mais sofrem com o desemprego, a questão da moradia e o acesso ao alimento de todo o dia.

 

Os serviços urbanos municipais funcionam com bastante eficácia. Não há problema de inexistência de esgotos ou de falta de água encanada e tratada. As condições sanitárias são exemplares. O lixo é recolhido com regularidade e os problemas decorrentes do acúmulo da neve, durante o inverno, é objeto de um esforço imenso para impedir que a cidade pare de funcionar. O tráfico urbano de veículos tem os problemas de todas as metrópoles: engarrafamentos, dificuldades para estacionar, índice apreciável de acidentes, poluição atmosférica etc. Nisto, ela parece com qualquer cidade ocidental. Reina o império do automóvel, como por toda parte, por mais que existam esforços, estimulando o uso dos transportes públicos.

 LC                                         o autor

Os níveis de criminalidade de Montreal ainda são muito baixos, comparando-se, por exemplo, aos do Rio de Janeiro ou de São Paulo. O caso de uso de armas de fogo em ações criminosas é inexpressivo, bem como os homicídios decorrentes disto, tanto os praticados por delinqüentes, como os atribuídos às forças policiais. Curiosamente, o direito de adquirir armas de uso pessoal é relativamente próximo ao mesmo existente nos EUA. Entretanto, é muito raro alguém portá-las ou dispará-las no espaço público.

 

Nos últimos dez anos, houve um crescimento substantivo de furtos e de atos vinculados ao tráfico e ao uso de drogas. Mas, a cidade está longe de ser perigosa. Ainda é um lugar onde se pode andar na rua, por quase toda parte, em qualquer hora do dia ou da noite, sem maiores problemas. Os casos de corrupção policial são raros e a polícia ainda tem um comportamento amistoso com a maioria dos cidadãos [20], apesar da existência de casos documentados de racismo explícito praticado pelas autoridades. Imigrantes de outros países, que viviam em regiões conflagradas, sentem-se muito mais seguros nessa cidade.

 

O sistema de saúde do Quebec é público e de acesso universal. Isto quer dizer que qualquer pessoa que seja residente legal da província tem o direito assegurado a qualquer tipo de tratamento médico gratuitamente, excluindo-se os serviços odontológicos, os exames oftalmológicos para o uso de óculos e as cirurgias estéticas. O mesmo ocorre com a educação pública até o segundo grau. As universidades, quase todas públicas, são pagas por todos, e são muito caras para quem é estrangeiro e ainda não migrou oficialmente para o país. Quem está no país, aceito como imigrante, paga o mesmo que os quebequenses. Há um sistema de empréstimos e bolsas que sustentam a possibilidade dos mais pobres terem acesso ao ensino superior. É bom lembrar que o Canadá é uma confederação com muitas diferenças de província para província. O que é válido em Quebec, não é exatamente o que ocorre, por exemplo, em Ontário.

 

O Estado do bem-estar ainda é uma realidade no país e, com muita força, no Quebec. Sua crise é evidente e vem se arrastando desde da década de 1990. Vários benefícios sociais foram cortados ou diminuídos e há uma forte pressão interna e externa para que as coisas mudem ainda mais. Nota-se a crise em vários setores. Ela é bem visível nas áreas da saúde e da educação, mas perpassa todo o tecido social local e é objeto da luta político-eleitoral.

 

Como em todo mundo atual, no Canadá cresce a crença na necessidade de por fim ao ‘Estado Providência’, a ser substituído pelas lógicas de mercado e pelos baixos investimentos nos setores sociais. Todavia, o país está ainda muito longe de ter abandonado o seu keynesianismo tradicional. No Quebec, ele conta com defensores aguerridos, bem como com inimigos radicais. Os imigrantes dependem muito, para sua sobrevivência social, do que ainda está em pé do velho modelo político social-democrático que governou o país por décadas. Tendem a ver nestas características uma forte diferenciação da realidade de onde vieram.

 

Uma das grandes dificuldades vividas pelos imigrantes de Montreal, vindos dos trópicos, sempre foi a dos rigores climáticos. A cidade conhece invernos glaciais, com muita neve, ventos cortantes, eventuais tempestades geladas e temperaturas que podem chegar, episodicamente, até os menos trinta graus Celsius. Faz muito frio, para os padrões da maior parte dos brasileiros, pelo menos por oito meses ao ano. O clima semipolar que alcança a cidade tudo modifica e exige imensos esforços adaptativos. É verdade, que os equipamentos urbanos modernos, desenvolvidos para aquela realidade, facilitam as coisas. Entretanto, as reclamações não são poucas, como também o estranhamento dos quebequenses com a reação dos imigrantes. Por outro lado, o sonho crescente de consumo dos quebequenses de classe média é passar as férias nos trópicos, em especial, no Caribe e na Flórida. Não poucos vão residir ou passar longos períodos, após a aposentadoria, em locais de clima tropical.

 

Os brasileiros têm que investir bastante dinheiro em agasalhos e na calefação de seus domicílios. São custos naturais para quem é do país ou provém de lugares igualmente frios. Entretanto, assustam bastante a quem vem de países que não conhecem tais extremos climáticos. Há muita dificuldade em se acostumar com as temperaturas baixas, os dias curtos do inverno e as mudanças comportamentais ensejadas pelo clima. O encerramento em casa parece, para alguns, uma espécie de prisão, difícil de suportar. Não raro, o clima é apontado por vários brasileiros como origem dos inúmeros casos de depressão, atendidos pelos médicos locais.

 

No breve verão, procura-se aproveitar ao máximo o aumento das temperaturas e as imensas mudanças do comportamento geral da sociedade montrealense. As ruas ficam cheias e coloridas. Inúmeros eventos públicos e ao ar livre aproveitam o brilho e o calor do sol. Os bares ficam repletos por quem pode se refrescar com a cara cerveja local. Nesta época, a cidade fica sendo a mais movimentada do país. Suas ruas, praças e parques repletos de gente fazem esquecer o se passou antes e o que está por vir. A surpreendente mudança tem um efeito muito positivo no estado de espírito local, isto é válido, tanto para os imigrantes como para os quebequenses.

mntreal_Jamal Golshan

foto de Jamal Golshan

 

Montreal recebe quase 90% dos que imigram para a província do Quebec. Ela é o destino mais escolhido por aqueles que querem ir viver dentro dos limites da francofonia canadense [21]. Certamente isto ocorre por várias razões, dentre elas o fato desta urbe proporcionar melhores possibilidades de trabalho, do que as demais cidades quebequenses. A sua latinidade deve também explicar o seu poder de atração dos que vem da francofonia e dos demais países que falam línguas neolatinas. O mesmo local, apesar da cultura francofônica dominante, é igualmente, por razões históricas, um espaço da anglofonia. Isto torna a cidade um lugar único no espaço urbano internacional. Processa-se ali, mais do que em qualquer outra região do Canadá, um encontro entre culturas diferentes, no que se refere às línguas usadas, aos costumes de diversas origens e às crenças socialmente compartilhadas.

 

De acordo com o último recenseamento (2006), a região metropolitana de Montreal (RMM) [22] tinha uma população de 3.588.520 habitantes. Destes, 740.355 eram imigrantes [23]. Outros dados oficiais [24], referentes ao universo populacional específico da mesma cidade, dizem que, em 2006, a população de Montreal era, em números redondos, composta por um milhão e seiscentas mil pessoas. Destes, 490 mil eram imigrantes, vindos de toda parte do mundo conhecido. Portanto, um pouco mais do que um em cada três dos habitantes locais nasceu fora desta cidade e deste país. A língua materna dominante era o francês, com 830 mil falantes, seguida pelo inglês, com 200 mil. Os demais cresceram sob o domínio de mais de cem línguas faladas mundo afora.

 

Na vida prática da cidade, cerca de 850 mil conhecem os dois idiomas oficiais e 900 mil usam predominantemente o francês no interior de seus domicílios. Conhecer os dois idiomas é um diferencial na obtenção do tão sonhado emprego. A predominância social do francês indica a forte filiação da cidade à francofonia e sua especificidade nas Américas. O uso corriqueiro do inglês, sobretudo no mercado de trabalho, indica como as regras do poder estão estabelecidas. Não raro, os imigrantes terminam por ser trilíngües, como exigência de suas presenças nesta urbe.

 

O motivo oficial da aceitação de tantos imigrantes no Quebec é o preenchimento de lacunas demográficas locais, em competição com as outras províncias do país [25]. O crescimento vegetativo da população não-imigrante é pequeno, próximo de zero. O espaço geográfico ainda vazio é imenso e o país tem um índice de crescimento econômico razoável, apesar dos efeitos recessivos recentes, devido a forte vinculação com a economia vizinha. A vinda dos imigrantes, sobretudo para Montreal, significa a multiplicação da existência de uma mão-de-obra abundante, dificilmente sindicalizada e propícia a aceitar salários mais baixos. As vagas ocupadas por eles são, como nos EUA, fundamentalmente, a dos empregos que não exigem alto nível de especialização, com exceção dos poucos casos, onde existe, na província, carência de especialistas. Na vida prática, isto resulta em um número muito grande de imigrantes trabalhando de modo precário e com direitos sociais diferentes da população local. Nesta realidade econômico-social, abre-se com força a possibilidade do desenvolvimento de uma cultura do preconceito.

 

Existem no Canadá, especialmente no Quebec, inúmeras dificuldades para o reconhecimento de diplomas obtidos no exterior. Na maioria dos casos, em que deseja exercer a mesma profissão que tinha no seu país natal precisa-se refazer a formação ou complementá-la. Necessita-se, igualmente, comprovar suas habilitações junto às ordens profissionais locais. Fazer isto é caro [26], complicado e a resistência local, em várias profissões, de aceitar os que vêm de fora não é pequena. Outra opção é a de escolher outra formação, cursando e pagando a universidade, adquirindo os pré-requisitos locais e entrando na disputa por postos com os franco-canadenses. Não raro, o imigrante de nível superior termina por desistir e contentar-se com o exercício de funções de nível médio ou elementar.

 

Não existem informações ‘raciais’, como as brasileiras, no que se refere aos habitantes de Montreal. As disponíveis referem-se às origens étnico-nacionais dos mesmos. De visu, a maioria esmagadora dos habitantes desta cidade tem o fenótipo de ‘brancos’. Isto é confirmado pela historiografia da cidade e pelas cifras oficiais e atuais sobre a origem dos que vieram de outros países. Naturais e imigrantes vieram, em momentos distintos, do velho continente, do oeste e do leste. O núcleo de origem da cidade veio da França. Os ingleses permitiram a imigração de muitos irlandeses, e de outros do vasto império colonial comandado pela Grã-Bretanha. Depois da Segunda Guerra, a cidade recebeu alguns milhares de judeus, hoje abrigando o maior número conhecido de sobreviventes dos campos de concentração e extermínio [27]. A presença judaica em Montreal já existia desde o início do século XX. (continua)

  • Notas:

    [20] Ver balanço de ação da polícia montrealense, em 2007: http://www.spvm.qc.ca/upload/documentations/Bilan_2007_chiffres_Francais.pdf

    [21] Ver: http://www.tlfq.ulaval.ca/axl/amnord/quebecdefi.htm

    [22] A RMM inclui a cidade e as adjacências de Montreal, algo como a grande São Paulo, ou o grande Rio, isto é, todos os que vivem em função da metrópole.

    [23] http://www12.statcan.ca/francais/census06/data/highlights/immigration/Table403.cfm?Lang=F&T=403&GH=8&SC=1&S=0&O=A

    [24] Ver publicações convencionais e eletrônicas do Statistique Canadá, http://www.statcan.ca/menu-fr.htm

    [25] Ver: http://www.tlfq.ulaval.ca/axl/amnord/quebecdefi.htm

    [26] O reconhecimento de um diploma pode custar cinco mil dólares, um punhado de documentos e bastante paciência. Não raro, este reconhecimento não é total e é recomendada a complementação dos estudos nas universidades locais.

    [27] Ver a obra de Linteau e a de Armony.

     

  • Se você esá chegando agora, leia:

  • 9 de janeiro de 2009

    Mais um assalto

    5 .
    Minha cunhada, irmã do Juba, foi assaltada esta semana. Ela já mora em Montreal, está passando uns dias aqui no Brasil e retorna semana que vem ao Canadá. Estava com uma amiga de Recife. Abordaram-na pedindo sua pochete.
    Ela não têm certeza, mas teve a impressão de que o assaltante possuia um canivete. Ela entregou a bolsa, sua amiga assustada saiu correndo e chamou a polícia que por sorte estava pelas redondezas. Graças à Deus nada lhes aconteceu!
     
    Depois no carro juntamente com os policiais tentaram em vão achar o assaltante ou sua carteira e bolsa talvez jogadas na rua. Em seguida foi aquela canseira e burocracia para fazer o BO. Horas de espera,  nervosismo e etc, etc.

    tmb_2008-03-31_103816Resumo: ela têm mêdo de qualquer pessoa que se aproxima dela, e não vê a hora de voltar para o Canadá! 
                                                                Conversávamos certa feita eu e Juba com uns amigos e dizíamos a "coincidência" de acontecerem coisas deste tipo com pessoas que estão no processo de imigração, e o quanto isto nos dá a convicção  de que nossa escolha de imigrar é acertada, entre inúmeras outras obviamente.

    Eu mesma já fui assaltada duas vezes, e já tive que tirar  novamente todos os meus documentos 3 vezes num período de tempo record. Depois conto esta história que merece um post. Bem, é isto. O Brasil é lindo, têm muitas qualidades, mas… o resto todos sabem decor.
     

    6 de novembro de 2008

    Montreal, amigos, neve, mar, flores...

    2 .
    Amigos,


    não deixem de ler nossas respostas às vossas mensagens dentro dos posts. Vocês não têm preço!


    Aqui vai um vídeo com imagens antigas de Montreal, A música é de Robert Charlebois, e a letra de Daniel Thibon, a qual vocês podem acompanhá-la abaixo. 

    Je reviendrai à Montréal
    Dans un grand boeing bleu de mer
    J'ai besoin de revoir l'hiver
    Et ses aurores boréales.

    J'ai besoin de cette lumière 
    Descendue droit du Labrador 
    Et qui fait neiger sur l'hiver 
    Des roses bleues, des roses d'or. 

    Dans le silence de l'hiver 
    Je veux revoir ce lac étrange 
    Entre la crystal et le verre 
    Où viennent se poser des anges. 

    Je reviendrai à Montréal 
    Écouter le vent de la mer 
    Se briser comme un grand cheval
    Sur les remparts blancs de l'hiver.
    Je veux revoir le long désert 
    Des rues qui n'en finissent pas 
    Qui vont jusqu'au bout de l'hiver 
    Sans qu'il y ait trace de pas. 

    J'ai besoin de sentir le froid 
    Mourir au fond de chaque pierre 
    Et rejaillir au bord des toits 
    Comme des glaçons de bonbons clairs.

    Je reviendrai à Montréal 
    Dans un grand boeing bleu de mer
    Je reviendrai à Montréal

    Me marier avec l'hiver! 
    Me marier avec l'hiver!
    Je reviendrai à Montréal