Calendário cultural da cidade do Quebéc
O que já publicamos:
Então, ainda preferes ficar em casa?Calendário cultural da cidade do Quebéc
O que já publicamos:
Então, ainda preferes ficar em casa?Quer saber a distância das cidades localizadas perto de Montreal?
Em time and date você obtém o cálculo exato. Apesar do nome já dizer que se trata de (um site de) cálculo de datas, esta ferramenta também calcula a distância das cidades perto de Montreal, o que achei de grande utilidade. Isto inclui além das cidades do Québec e Canadá, as cidades dos USA, que por sinal são a maioria em questão. Clicando nos links das cidades, podemos ver também o tempo. Além das utilidades já citadas, existe também o cálculo de códigos para dicagem telefônica do mundo inteiro e muito mais!
Então salve esta útil ferramenta no melhor estilo 10 em 1.
Clique na imagem para ser redirecionado.
Se você está procurando um bom mapa, visite o MapQuest. Lá você achará rapidamente a região, cidade e rua que precisar. E não só isso, mas restaurantes, cinemas, hotéis,teatros, cafeterias e muito mais. Basta digitar o que procura, ou ir clicando e arrastando a seta. Simples e prático.
Montreal é realmente uma cidade muito organizada (ah éee?). Aliás, o Québec e todo o Canadá assim o é, e não é à toa que está classificado como um dos melhores países para se viver. Isso não é novidade para nós. Mas falando em organização de informações pela internet, os diretório e sites oficais do país são muito bem estruturados e cheio de informações detalhadas. Podemos conferir isto clicando num dos links registrados na coluna ao lado deste blog.
Diria que é o oposto dos portais governamentais do Brasil, que é quase um deserviço à nós brasileiros. Mas deixemos os desafetos para lá e vamos ao que interessa: Le portail officiel de la ville de Montréal. O portal oficial da cidade de Montreal. Site útil para quem vai morar em Montreal.
Aproveitem a visita, e vejam uma simulação de como a cidade estará em 2025. Isto sim é uma cidade bem planejada! Igual ao Brasil não?
abraços
Viena ultrapassou Zurique e assumiu a primeira posição de cidade com melhor qualidade de vida no mundo, de acordo com a Pesquisa de Qualidade de Vida 2009 da Mercer.
Genebra ocupa a terceira posição, enquanto Vancouver e Auckland agora estão empatadas em quarto lugar na classificação. Nos EUA, a cidade melhor classificada é Honolulu, na 29ª posição. Cingapura (26) é a cidade Asiática com maior pontuação, seguida por Tóquio na posição 35. Bagdá, classificada em 215, permanece em último na tabela.
Na América Central e do Sul, San Juan, em Porto Rico, mantém a classificação mais alta na posição 72, seguida por Montevidéu na 79.Esse ano também foram identificadas as cidades com melhor infraestrutura, tais como: energia elétrica, telefonia, transporte público, trânsito e vôos internacionais. Cingapura ocupa o primeiro lugar neste ranking (com 109,1 pontos) e Santiago (com 88,1 pontos) é a cidade com melhor infraestrutura na América Latina. Bagdá, tem a pior infraestrutura e fica em último lugar com apenas 19,6 pontos.
As melhores cidades do mundo
Top 5 qualidade de vida no rank mundial
| Geral | Infra-estrutura |
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| Américas | Ásia Pacífica |
A menor pontuação das Américas no ranking Top 50 foi a cidade de Seattle(50.) |
A classificação mais baixa da cidade asiática em 50 foi Osaka (empate para 44.) |
| Europa | Oriente Médio & África |
A menor pontuação da Europa no ranking Top 50 foi da cidade de Madrid (48.). |
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| Américas | Ásia Pacífico |
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| Europa | Oriente Médio & África |
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A classificação é baseada em um índice por pontuação, no qual Viena tem 108,6 e Bagdá 14,4. As cidades são classificadas em relação à Nova York, a cidade-base, que tem pontuação 100. A classificação de Qualidade de Vida da Mercer cobre 215 cidades no mundo, sendo realizada para auxiliar governos e grandes empresas no momento de expatriar funcionários .
Leia também:Particularmente senti falta de São Paulo e Rio de Janeiro. Cidades extremamente seguras, organizadas, com acesso a saúde, educação e transporte públicos de primeiro mundo. Que estranho…
(rsrsrsrsrsrs)
Mais do Québec no site viajeaqui que vasculhei para o nosso deleite e também futuros passeios (!!?). Reportagens ilustradas com muitas fotos, dicas, vídeos e informações.
Boa viagem!
Do Blog Boa Vida de Alexandra Forbes (já falamos dela aqui):
Veja também a experiência da jorrnalista Alexandra Forbes (segundo ela nada boa) com o sistema de saúde de Montreal em: Montréal, no Canadá: primeiro ou terceiro mundo?
Outros autores em reportagens interessantes do site viajeaqui:
À Francesa – Reportagem simpáica e informativa sobre Montreal.
Onde é melhor comer – Dicas de restaurantes e cafés.
Canadá sobre trilhos – Uma viagem de 6 mil quilômetros nos trens da via Rail para conhecer o que existe de melhor no país.
La vie en pink – Um pouco sobre Mont Tremblant.
Gostou? Então aproveite para ler outras reportagens do site.
Em minhas visitas quase que diárias ao leitor de feeds, recebi a matéria em questão por "Pesquisa do Google: Montreal", onde me inscrevi à alguns meses.
"Montréal, no Canadá: 10 razões para amá-la"
Acho muito interessante estes tipos de listas. As 10 coisa que amo em tal lugar. Eu particularmente viajo assim que começo a ler. Fico a imaginar e me desperto para situações, sensações e até aromas me veem à mente. Quase sempre uma desculpa para uma boa conversa com o Juba, amigos e familiares. Em se tratando do Canadá ou ainda Montreal então, viixx, nem se fala! Vocês sabem do que estou falando (nééé). Quem tá de fora até cansa #azoreias!
Mas voltando ao assunto, o post "Montreal, no Canadá, 10 razões para amá-la" é de Alexandra Forbes (viajeaqui. abril), jornalista e crítica gastronômca, que viaja pelo mundo todo comendo e bebendo. Profissão chata né? Que horror, nossa! Com 5 anos de Canadá e recentemente morando em Montreal, Alexandra deseja daqui pra frente desnudá-la de pouquinho em pouquinho. E começa com o aperitivo: Dez coisas que amo em Montréal. A lista é ilustrada com fotos e breves comentários. Têm até um mini-vídeo da rua Crescent.
Então clique na foto ou nos links para saber a seleção de Alexanda Forbes e boa viagem!
E você, qual é sua lista das "10 coisas que amo" (…) ?
Continuação do estudo:
Brasileiros em Montreal (final deste subtítulo)
Luís Carlos Lopes
O país estimula a imigração vinda de algumas regiões do mundo. Aceita refugiados políticos de alguns países e vem manifestando suas preferências de origem dos seus imigrantes. O Brasil é, recentemente, um dos lugares escolhidos como celeiro de futuros habitantes do Canadá. O Ministério da Imigração do Quebec, no interesse da província, organiza campanhas de recrutamento no Brasil. Os meios de comunicação do Brasil e programas e vídeos veiculados pela Internet repercutem estas campanhas. Estas visam aumentar o número de brasileiros na mesma província.
Existem alguns meios conhecidos de migrar. O mais tradicional é o do pleito direto do interessado que preenche uma série de formulários, fornece vários documentos, paga várias taxas e tem seu caso examinado. Se aprovado o candidato à imigração fará os exames médicos conclusivos e, passando nos mesmos, receberá alguma ajuda nos primeiros meses de seu estabelecimento no país, sobretudo se tiver mulher e filhos para criar. Na cidade para onde foi, se for um grande centro, poderá fazer cursos de línguas e terá acesso ao sistema de saúde local, sem qualquer ônus. Conseguindo se estabelecer e se radicar por três anos, o imigrante ganhará o direito à nacionalidade canadense, algo muito especial, comparando-se com o caso norte-americano.
Os brasileiros de hoje são atraídos pelos serviços de imigração, através de farta propaganda, realização de reuniões de sensibilização feitas em algumas cidades brasileiras e de promessas de ajuda para os primeiros momentos de instalação. Estes esforços de atrair imigrantes concentram-se no sudeste e no sul do país, sendo possível identificar os padrões étnicos e sociais almejados. Tais esforços, somados aos problemas brasileiros, têm resultado no aumento apreciável do número de pessoas interessadas em viver no Canadá, em especial no Quebec. Entretanto, é em Toronto, em plena região anglofônica, que os brasileiros se concentram, por efeito de maiores possibilidades de emprego.
Os imigrantes brasileiros encontráveis no local hoje têm um traço social hegemônico. A grande maioria é branca ou mestiça clara, veio do sul e do sudeste, cursou ou estava cursando o nível superior e, no seu país natal, pertencia às classes médias. As exigências para chegar ao Canadá reduzem em muito quaisquer possibilidades de pessoas diferentes disto conseguirem ser aceitas. Quando eles são na origem de outras regiões do país, lá pertenciam a grupos sociais mais ricos e já tinham passagens pelo sudeste brasileiro. Quase todos são adultos, com exceção dos filhos menores, e chegaram ao país na faixa entre os 25 e 45 anos de idade.
A principal forma de entrada atual no país e de chegada em Montreal consiste no pedido oficial de imigração. Todavia, existe quem tenha chegado com o visto de estudante e depois, de dentro do país, solicitou a permanência definitiva. Alguns poucos fizeram seu pleito de imigração em outros países, onde residiam provisoriamente. Existem os que vieram como trabalhadores temporários e, no Canadá, pediram para ficar, bem como os que vieram como maridos e esposas de canadenses, tendo suas núpcias como o principal motivo da emigração do Brasil. Um ou outro usou de artifício distinto para ficar. A imigração, apesar de seguir regras de Estado, é uma operação privada e sujeita a acertos individuais. A geração mais antiga chegou ao país como exilada e alguns resolveram permanecer definitivamente.
Na verdade, migrar para o Quebec significa fazer uma dupla solicitação. A primeira para o Canadá e a segunda para a província ou vice-versa. O país é uma confederação. Entretanto, a província francofônica tem uma realidade muito especial, distinta das demais, sendo a única a ter ministério da imigração próprio. Quando o pedido é feito diretamente ao Quebec, o solicitante recebe um aceite local. Este terá que ser validado pelo governo central do país. Esse e outros fatos posicionam a província como um país, dentro do país. Os imigrantes são duplamente canadenses e quebequenses. Sob o ponto de vista legal e nacional, são, até agora [31], apenas canadenses. Definem-se comumente de um modo diverso. Curiosamente, os brasileiros e de outras origens acreditam-se muito mais como montrealenses, do que como quebequenses ou canadenses. O país deles é a cidade onde vivem, que os acolheu.
A maioria dos brasileiros que vivem nesta nova realidade mantém algum tipo de laço com outros membros do mesmo grupamento. Reúnem-se episodicamente e procuram uma forma de se manter vinculados aos elementos cêntricos de suas culturas, tais como o carnaval, variadas expressões musicais, o futebol, a culinária e a especificidade do português falado no Brasil. Refundem tudo isto, a partir do olhar local. Este os faz entender suas raízes de modo distinto do que ocorria no seu país natal. Esse olhar seria a expressão da cultura dos brasileiros imigrados que resultaria numa forma de comunicação, isto é, numa parole bastante específica.
A parole dos brasileiros
Não é muito fácil capturar a parole dos brasileiros em Montreal. O grupamento não é muito organizado, seus canais de comunicação são intermitentes e pouco eficientes. Diferentemente de Toronto, os brasileiros de Montreal têm maiores dificuldades de se informar e de intercambiar experiências. Ainda não existe, na cidade, um periódico regular para a comunidade brasileira. Os que existem em português são para a comunidade portuguesa. No momento em que esta pesquisa estava sendo feita, tentava-se organizar uma escola brasileira para os filhos de imigrantes. Antes, houve uma que não conseguiu subsistir. Ao contrário da comunidade portuguesa, a brasileira ainda não obteve maior organicidade e penetração, nas tentativas de alguns de criar e manter instituições que estejam a serviço dos seus membros. Aliás, não raro, os brasileiros usam do aparato montado pelos lusitanos que estão em Montreal há muito tempo, em grande número e que alcançaram uma posição de maior relevo na sociedade local.
O grupamento brasileiro surge de sua relativa invisibilidade, com bastante garbo, nas cerimônias públicas, tais como festivais de música, de artes ou eventos desportivos, onde o Brasil esteja representado. Nesta ocasião, a bandeira verde-amarela chega a ser desfraldada, bem como as camisas amarelas, de nossa seleção de futebol, brilham nas ruas. Nesses eventos públicos, em festas e outras cerimônias privadas, é possível ouvir a batucada e o cantar alegre desses imigrantes. Quando juntos, os brasileiros se destacam pelo colorido de suas vestes e o hábito da terra de falar alto e abraçar ternamente os amigos, sem esquecer dos beijos na face entre as moças e os rapazes. (continua)
Nota: [31] Há, em curso, um projeto de lei criando uma ‘identidade’ quebequense.
Leia:
Clique na imagem e tenha acesso a vários links importantes do Canadá e Québec. A quantidade é impressionante!
Desenvolvido pela Université du Québec! Muito bom!
Dica do Blog: http://imigracaoquebec.blogspot.com/
Esse post faz parte do "Boas Dicas" do Blog Juba e Dea
Brasileiros de Montreal – parte VII
Luís Carlos Lopes
A cidade e a imigração (continuação)
Nesta cidade, nada existe de similar às favelas cariocas ou aos bairros da periferia paulista. A pobreza urbana é assistida, como em poucos lugares do planeta. Por diversos meios de ajuda oficial, os mais pobres conseguem, com imensas dificuldades, sobreviver no centro e na periferia, mesmo em situações dramáticas de desemprego e de graves enfermidades. A escala social da pobreza local é bem conhecida. São os mais pobres os imigrantes e uma pequena parcela da maioria francofônica que habita a cidade. São estes os que mais sofrem com o desemprego, a questão da moradia e o acesso ao alimento de todo o dia.
Os serviços urbanos municipais funcionam com bastante eficácia. Não há problema de inexistência de esgotos ou de falta de água encanada e tratada. As condições sanitárias são exemplares. O lixo é recolhido com regularidade e os problemas decorrentes do acúmulo da neve, durante o inverno, é objeto de um esforço imenso para impedir que a cidade pare de funcionar. O tráfico urbano de veículos tem os problemas de todas as metrópoles: engarrafamentos, dificuldades para estacionar, índice apreciável de acidentes, poluição atmosférica etc. Nisto, ela parece com qualquer cidade ocidental. Reina o império do automóvel, como por toda parte, por mais que existam esforços, estimulando o uso dos transportes públicos.
Os níveis de criminalidade de Montreal ainda são muito baixos, comparando-se, por exemplo, aos do Rio de Janeiro ou de São Paulo. O caso de uso de armas de fogo em ações criminosas é inexpressivo, bem como os homicídios decorrentes disto, tanto os praticados por delinqüentes, como os atribuídos às forças policiais. Curiosamente, o direito de adquirir armas de uso pessoal é relativamente próximo ao mesmo existente nos EUA. Entretanto, é muito raro alguém portá-las ou dispará-las no espaço público.
Nos últimos dez anos, houve um crescimento substantivo de furtos e de atos vinculados ao tráfico e ao uso de drogas. Mas, a cidade está longe de ser perigosa. Ainda é um lugar onde se pode andar na rua, por quase toda parte, em qualquer hora do dia ou da noite, sem maiores problemas. Os casos de corrupção policial são raros e a polícia ainda tem um comportamento amistoso com a maioria dos cidadãos [20], apesar da existência de casos documentados de racismo explícito praticado pelas autoridades. Imigrantes de outros países, que viviam em regiões conflagradas, sentem-se muito mais seguros nessa cidade.
O sistema de saúde do Quebec é público e de acesso universal. Isto quer dizer que qualquer pessoa que seja residente legal da província tem o direito assegurado a qualquer tipo de tratamento médico gratuitamente, excluindo-se os serviços odontológicos, os exames oftalmológicos para o uso de óculos e as cirurgias estéticas. O mesmo ocorre com a educação pública até o segundo grau. As universidades, quase todas públicas, são pagas por todos, e são muito caras para quem é estrangeiro e ainda não migrou oficialmente para o país. Quem está no país, aceito como imigrante, paga o mesmo que os quebequenses. Há um sistema de empréstimos e bolsas que sustentam a possibilidade dos mais pobres terem acesso ao ensino superior. É bom lembrar que o Canadá é uma confederação com muitas diferenças de província para província. O que é válido em Quebec, não é exatamente o que ocorre, por exemplo, em Ontário.
O Estado do bem-estar ainda é uma realidade no país e, com muita força, no Quebec. Sua crise é evidente e vem se arrastando desde da década de 1990. Vários benefícios sociais foram cortados ou diminuídos e há uma forte pressão interna e externa para que as coisas mudem ainda mais. Nota-se a crise em vários setores. Ela é bem visível nas áreas da saúde e da educação, mas perpassa todo o tecido social local e é objeto da luta político-eleitoral.
Como em todo mundo atual, no Canadá cresce a crença na necessidade de por fim ao ‘Estado Providência’, a ser substituído pelas lógicas de mercado e pelos baixos investimentos nos setores sociais. Todavia, o país está ainda muito longe de ter abandonado o seu keynesianismo tradicional. No Quebec, ele conta com defensores aguerridos, bem como com inimigos radicais. Os imigrantes dependem muito, para sua sobrevivência social, do que ainda está em pé do velho modelo político social-democrático que governou o país por décadas. Tendem a ver nestas características uma forte diferenciação da realidade de onde vieram.
Uma das grandes dificuldades vividas pelos imigrantes de Montreal, vindos dos trópicos, sempre foi a dos rigores climáticos. A cidade conhece invernos glaciais, com muita neve, ventos cortantes, eventuais tempestades geladas e temperaturas que podem chegar, episodicamente, até os menos trinta graus Celsius. Faz muito frio, para os padrões da maior parte dos brasileiros, pelo menos por oito meses ao ano. O clima semipolar que alcança a cidade tudo modifica e exige imensos esforços adaptativos. É verdade, que os equipamentos urbanos modernos, desenvolvidos para aquela realidade, facilitam as coisas. Entretanto, as reclamações não são poucas, como também o estranhamento dos quebequenses com a reação dos imigrantes. Por outro lado, o sonho crescente de consumo dos quebequenses de classe média é passar as férias nos trópicos, em especial, no Caribe e na Flórida. Não poucos vão residir ou passar longos períodos, após a aposentadoria, em locais de clima tropical.
Os brasileiros têm que investir bastante dinheiro em agasalhos e na calefação de seus domicílios. São custos naturais para quem é do país ou provém de lugares igualmente frios. Entretanto, assustam bastante a quem vem de países que não conhecem tais extremos climáticos. Há muita dificuldade em se acostumar com as temperaturas baixas, os dias curtos do inverno e as mudanças comportamentais ensejadas pelo clima. O encerramento em casa parece, para alguns, uma espécie de prisão, difícil de suportar. Não raro, o clima é apontado por vários brasileiros como origem dos inúmeros casos de depressão, atendidos pelos médicos locais.
No breve verão, procura-se aproveitar ao máximo o aumento das temperaturas e as imensas mudanças do comportamento geral da sociedade montrealense. As ruas ficam cheias e coloridas. Inúmeros eventos públicos e ao ar livre aproveitam o brilho e o calor do sol. Os bares ficam repletos por quem pode se refrescar com a cara cerveja local. Nesta época, a cidade fica sendo a mais movimentada do país. Suas ruas, praças e parques repletos de gente fazem esquecer o se passou antes e o que está por vir. A surpreendente mudança tem um efeito muito positivo no estado de espírito local, isto é válido, tanto para os imigrantes como para os quebequenses.
foto de Jamal Golshan
Montreal recebe quase 90% dos que imigram para a província do Quebec. Ela é o destino mais escolhido por aqueles que querem ir viver dentro dos limites da francofonia canadense [21]. Certamente isto ocorre por várias razões, dentre elas o fato desta urbe proporcionar melhores possibilidades de trabalho, do que as demais cidades quebequenses. A sua latinidade deve também explicar o seu poder de atração dos que vem da francofonia e dos demais países que falam línguas neolatinas. O mesmo local, apesar da cultura francofônica dominante, é igualmente, por razões históricas, um espaço da anglofonia. Isto torna a cidade um lugar único no espaço urbano internacional. Processa-se ali, mais do que em qualquer outra região do Canadá, um encontro entre culturas diferentes, no que se refere às línguas usadas, aos costumes de diversas origens e às crenças socialmente compartilhadas.
De acordo com o último recenseamento (2006), a região metropolitana de Montreal (RMM) [22] tinha uma população de 3.588.520 habitantes. Destes, 740.355 eram imigrantes [23]. Outros dados oficiais [24], referentes ao universo populacional específico da mesma cidade, dizem que, em 2006, a população de Montreal era, em números redondos, composta por um milhão e seiscentas mil pessoas. Destes, 490 mil eram imigrantes, vindos de toda parte do mundo conhecido. Portanto, um pouco mais do que um em cada três dos habitantes locais nasceu fora desta cidade e deste país. A língua materna dominante era o francês, com 830 mil falantes, seguida pelo inglês, com 200 mil. Os demais cresceram sob o domínio de mais de cem línguas faladas mundo afora.
Na vida prática da cidade, cerca de 850 mil conhecem os dois idiomas oficiais e 900 mil usam predominantemente o francês no interior de seus domicílios. Conhecer os dois idiomas é um diferencial na obtenção do tão sonhado emprego. A predominância social do francês indica a forte filiação da cidade à francofonia e sua especificidade nas Américas. O uso corriqueiro do inglês, sobretudo no mercado de trabalho, indica como as regras do poder estão estabelecidas. Não raro, os imigrantes terminam por ser trilíngües, como exigência de suas presenças nesta urbe.
O motivo oficial da aceitação de tantos imigrantes no Quebec é o preenchimento de lacunas demográficas locais, em competição com as outras províncias do país [25]. O crescimento vegetativo da população não-imigrante é pequeno, próximo de zero. O espaço geográfico ainda vazio é imenso e o país tem um índice de crescimento econômico razoável, apesar dos efeitos recessivos recentes, devido a forte vinculação com a economia vizinha. A vinda dos imigrantes, sobretudo para Montreal, significa a multiplicação da existência de uma mão-de-obra abundante, dificilmente sindicalizada e propícia a aceitar salários mais baixos. As vagas ocupadas por eles são, como nos EUA, fundamentalmente, a dos empregos que não exigem alto nível de especialização, com exceção dos poucos casos, onde existe, na província, carência de especialistas. Na vida prática, isto resulta em um número muito grande de imigrantes trabalhando de modo precário e com direitos sociais diferentes da população local. Nesta realidade econômico-social, abre-se com força a possibilidade do desenvolvimento de uma cultura do preconceito.
Existem no Canadá, especialmente no Quebec, inúmeras dificuldades para o reconhecimento de diplomas obtidos no exterior. Na maioria dos casos, em que deseja exercer a mesma profissão que tinha no seu país natal precisa-se refazer a formação ou complementá-la. Necessita-se, igualmente, comprovar suas habilitações junto às ordens profissionais locais. Fazer isto é caro [26], complicado e a resistência local, em várias profissões, de aceitar os que vêm de fora não é pequena. Outra opção é a de escolher outra formação, cursando e pagando a universidade, adquirindo os pré-requisitos locais e entrando na disputa por postos com os franco-canadenses. Não raro, o imigrante de nível superior termina por desistir e contentar-se com o exercício de funções de nível médio ou elementar.
Não existem informações ‘raciais’, como as brasileiras, no que se refere aos habitantes de Montreal. As disponíveis referem-se às origens étnico-nacionais dos mesmos. De visu, a maioria esmagadora dos habitantes desta cidade tem o fenótipo de ‘brancos’. Isto é confirmado pela historiografia da cidade e pelas cifras oficiais e atuais sobre a origem dos que vieram de outros países. Naturais e imigrantes vieram, em momentos distintos, do velho continente, do oeste e do leste. O núcleo de origem da cidade veio da França. Os ingleses permitiram a imigração de muitos irlandeses, e de outros do vasto império colonial comandado pela Grã-Bretanha. Depois da Segunda Guerra, a cidade recebeu alguns milhares de judeus, hoje abrigando o maior número conhecido de sobreviventes dos campos de concentração e extermínio [27]. A presença judaica em Montreal já existia desde o início do século XX. (continua)
Notas:
[20] Ver balanço de ação da polícia montrealense, em 2007: http://www.spvm.qc.ca/upload/documentations/Bilan_2007_chiffres_Francais.pdf
[21] Ver: http://www.tlfq.ulaval.ca/axl/amnord/quebecdefi.htm
[22] A RMM inclui a cidade e as adjacências de Montreal, algo como a grande São Paulo, ou o grande Rio, isto é, todos os que vivem em função da metrópole.
[24] Ver publicações convencionais e eletrônicas do Statistique Canadá, http://www.statcan.ca/menu-fr.htm
[25] Ver: http://www.tlfq.ulaval.ca/axl/amnord/quebecdefi.htm
[26] O reconhecimento de um diploma pode custar cinco mil dólares, um punhado de documentos e bastante paciência. Não raro, este reconhecimento não é total e é recomendada a complementação dos estudos nas universidades locais.
[27] Ver a obra de Linteau e a de Armony.
Se você esá chegando agora, leia:
Resumo: ela têm mêdo de qualquer pessoa que se aproxima dela, e não vê a hora de voltar para o Canadá!
Conversávamos certa feita eu e Juba com uns amigos e dizíamos a "coincidência" de acontecerem coisas deste tipo com pessoas que estão no processo de imigração, e o quanto isto nos dá a convicção de que nossa escolha de imigrar é acertada, entre inúmeras outras obviamente.